domingo, 7 de outubro de 2012



A compulsão sexual e suas conseqüências

Tudo começou com uma simples curiosidade. Eu era adolescente e estava descobrindo a história do “ficar”. Tem gente que não sabe o que é ficar. Ficar é beijar, abraçar sem compromisso com o dia ou a hora seguinte. Não tem regras, você pode ficar com várias pessoas ao mesmo tempo ou só com aquela. Pode dar em namoro e pode não dar em nada. Ninguém tem direito de reclamar. Bom, eu comecei a ficar com um rapaz e achei aquilo tudo de beijo e abraço muito bom. Eu não tinha experiência com nada. Aos poucos, fui descobrindo que inventar novos tipos de beijo podia ser divertido. Aqueles beijos provocavam inúmeras sensações no meu corpo e o clima ia esquentando. Do abraço se passava ao “amasso”, um abraço bem apertado com direito a outras carícias. Carícias em qualquer lugar do corpo. Aquela sensação foi inesquecível, me deu um arrepio na espinha e saí de lá saltitando. Ele me prometia amor eterno, me fazia poesias, dizia que me amava...
Não deu muito certo mas logo apareceram outros rapazes interessados em mim e eu não conseguia parar só nos beijinhos. Meu corpo pedia de novo uns “amassos”, eu queria sentir as mãos dele passeando pelo meu corpo. Deu vontade de ir a um lugar mais discreto. Como outros casais, procuramos um beco escuro, um canto embaixo da escada, um momento sozinhos dentro de um carro para irmos descobrindo aquela sexualidade que eu nunca tinha experimentado. Não sabia que meu corpo era capaz de me dar tanto prazer na vida. Eu não ligava se tinha gente passando, se tinha crianças ao meu redor, se a minha família ia ver. Eu queria ter aquela sensação de novo. Com o tempo, assim que via um rapaz afim de mim, queria chegar logo ao ponto onde eu tinha parado. Era tão bom que eu não pensava em outra coisa. Quando estava namorando, logo via meu namorado e pensava em sexo. Não conseguia me conter. Começamos a ter conversar obscenas no telefone e na internet, descrever nossas roupas de baixo, o que queríamos fazer. Ele me incentivou a fazer sexo virtual com outros homens por diversão. Começamos a freqüentar motéis e as nossas saídas sociais estavam diminuindo. O namoro acabou mas minha sede de sexo continuou. Nada era tão bom como estar nos braços de um homem, experimentar novas coisas. Eu tinha curiosidade de saber como seria estar com outros homens. Buscava revistas femininas para ler as reportagens de sexo e as novas dicas para prender um homem. Por curiosidade, entrei numa sex shop e me encantei com os brinquedinhos e novidades. Cheguei até a experimentar alguns. Posso me orgulhar de dizer que levei homens à loucura com meu corpo maravilhoso esculpido pela academia. Ninguém resistia à mim e eu tinha tudo o que queria. Passei a não esperar mais que viessem até mim, passei a seduzir, inclusive homens casados. Queria provar que eu era melhor que a mulher deles. Bastava o homem me interessar que eu usava minhas armas: roupas curtas, posturas provocantes, fotos picantes no site de relacionamento. Quando conquistava minha “vítima”, aceitava de tudo. Assim, a pornografia entrou na minha vida, através de sites pornôs acessados na madrugada. Eu queria ter aquela excitação de novo, ver homens nus, casais fazendo sexo de vários tipos. Aquilo me dava uma sensação de eletricidade no corpo, como se eu estivesse descendo numa montanha russa, pura adrenalina.
Experimentei vários tipos de apetrechos sexuais, fiz sexos de vários tipos, cheguei a topar incluir uma outra pessoa e me fiz de liberal. Olhava para um homem bonito e tudo o que eu via era uma cena de sexo. Quando o combustível estava no final, eu alimentava minha sede de sexo com ficantes esporádicos e vídeos. Quando estava sem sexo quase subia pelas paredes, ficava nervosa, mordia os lábios, andava pra lá e pra cá, dava socos na parede e procurava alguém desesperadamente nem que fosse num chat na internet. Quando não conseguia, me masturbava compulsivamente, inclusive usando objetos (já me machuquei algumas vezes). Minha cabeça funciona com fantasias o tempo todo.
Um dia finalmente me apaixonei. Conheci um rapaz no trabalho que tinha o perfil que eu queria. Estava querendo um relacionamento afetivo, alguém pra me amar, pra preencher essa carência que eu tinha desde nova, de um colo, alguém pra casar, alguém que me mandasse poesias. Me preparei toda, coloquei minha saia mais curta, minha blusa mais transparente. Troquei de roupa no banheiro do trabalho no final do expediente e disse que ia para um bar. Quando ele foi beber água, encontrei-o sozinho na copa. Me aproximei provocante e perguntei se ele tinha programa para mais tarde. Sentei numa cadeira cruzando as pernas de forma bem sensual e dei uma risada “sem graça”. Toquei no braço dele, quase a ponto de beija-lo. Quando pensei que conseguiria “derrete-lo” com meus truques, ele se afastou e disse: “Olha, você é muito bonita mas eu sou casado”. Não contente com isso, disse que não sou ciumenta e que poderíamos nos divertir um pouco, era só ele inventar uma desculpa para a esposa. Sem dizer uma só palavra, ele saiu e encostou a porta me deixando sozinha. Pensei: “Esse é resistente mas eu não vou desistir. Quanto mais difícil melhor”.
No dia seguinte, mandei uma mensagem para o seu celular novamente provocando para um programa mas não houve resposta. Liguei então para a sala dele e ele me dispensou, dizendo estar ocupado. Entrei então na sala dele e reparei pela primeira vez no porta retrato onde estava a foto da sua família. A esposa dele era gordinha! Aquilo afetou tremendamente a minha auto-estima. Como um homem como ele estava casado com uma mulher acima do peso e ainda rejeitava minhas investidas, eu que tinha o corpo malhado todos os dias na academia e que era tudo o que um homem sempre quis? Com certeza ela não fazia tudo o que eu fazia nem tinha tanta experiência sexual. O que estava havendo? Indignada, perguntei a ele porque ele não aceitava ter uma aventura comigo. Ele disse: “Pelo simples fato de que ela me preenche”.
Saí de lá com a cabeça confusa e me deitei com o primeiro homem que me deu mole no trabalho. Depois do sexo, tentei abraça-lo e falar sobre a minha decepção. Para minha surpresa, ele se virou para o lado, começou a colocar a roupa e nem se despediu de mim. Eu estava completamente só.
Comecei a sair na rua e continuei sendo elogiada pelo meu físico. Em todos os lugares era paquerada. Conseguia namorar mas nunca era levada muito a sério. Com a idade que eu tinha (32 anos), nunca tinha sido pedida em casamento. Quando eu não estava afim de sexo bizarro, meu namorado me destratava. Comecei a achar que a minha vida estava sem sentido. Triste e sem objetivo, procurava ainda mais sensações para serem o meu consolo. A essa altura, nem o sexo bizarro, nem a troca de casais, nem a pornografia me preenchiam mais. Já tinha tido muitos parceiros e o sexo sempre me enjoava. Parecia uma coisa mecânica e sem graça. Uma sensação muito ínfima de prazer me acalmava. Passei a sair com caras sem nenhum critério. Às vezes não queria, tentava mudar meu comportamento mas o meu corpo respondia instantaneamente. Vivi o medo de estar grávida mas não sabia de quem podia ser o filho. A cada mês suspirava aliviada quando descia a menstruação. Um dia sentei no banheiro e chorei, quis morrer. Me sentia vazia por dentro, sozinha, um objeto descartável que qualquer um podia ter porque eu não sabia dizer não. Meu telefone não parava de tocar com uma série de convites para sair e eu não queria sair do chão daquele banheiro. Desesperada, engoli várias pílulas para dormir. Parecia um zumbi andando pela casa. Me tranquei e não quis mais sair, pouco comia e só pensava em sexo o tempo todo. Um dia, uma colega, estranhando a minha ausência, decidiu bater na porta. Espantada com o meu estado, me levou para a emergência de um hospital. De lá, perceberam que eu era um caso psiquiátrico. Sou compulsiva sexual e estou deprimida. Hoje vivo um inferno porque meu corpo pede sexo o tempo todo, minha mente sofre de flashbacks de cenas pornográficas que eu cansei de ver, meus ouvidos só ouvem gemidos de homens e mulheres como numa alucinação. Eu começo a tremer do nada, choro, não consigo dormir, tenho crises de ansiedade e irritação. E o pior: acho que não sou nada, que não valho nada. Achei que era livre, fazendo da minha vida o que bem queria e vi que me transformei numa escrava de mim mesma. Tudo o que eu sabia dar era o sexo. As pessoas me amavam porque eu era bonita e boa de cama. E agora, o que sobrou? Me sinto feia, não tenho vontade de malhar, engordei e me sinto um lixo. O pior é que o meu corpo e a minha mente pedem sexo desesperadamente. Quero seduzir um homem para me sentir bem de novo mas sei que esse pode ser o meu fim. Fiz do meu corpo um objeto descartável e me sentia feliz por ser usada. Ninguém nunca se importou comigo de verdade. Não tinha percebido que não conseguia compartilhar os meus problemas. Por vezes acordava com nojo do homem que estava do meu lado. Ele podia ser lindo mas eu só conseguia sentir nojo. Sentimentos contraditórios porque o prazer físico passava e não era aquilo que eu queria da vida. Que falta de um companheiro! O sexo me fazia ficar calma, menos irritada e aparentemente mais feliz. Percebi que eu me auto-medicava. Enquanto tem gente que toma calmante, eu “tomava” sexo. Passei a usar palavrões, a ser uma mulher desbocada e vulgar. Ao invés de querer que me vissem, queria que vissem minhas pernas. Se pudesse, teria andado nua na rua. Era inconveniente, destruí casamentos no meu narcisismo de querer me comparar e ser melhor que todo mundo. No final, nunca possuí ninguém. Foi tudo uma ilusão. Mesmo os homens que me tinham, voltavam para a esposa porque era a ela que amavam, eu era só um brinquedo. E agora que estou mal cuidada, nem um brinquedo eu sou mais. Sou um objeto velho, digno de ser jogado fora. Não tenho limites, não tenho identidade, nem sei se alguém um dia vai gostar de mim, acho que não.
Minha auto-estima é uma droga, sempre me senti inferior aos outros desde criança e achava que ser melhor sexualmente era uma forma de compensar isso. O pior é que eu não era a única: via minhas amigas falando do desempenho dos namorados na cama, no início do mês era um chororó no banheiro, todo mundo se abraçando com medo de estar grávida. Minhas colegas compartilhavam comigo o endereço dos motéis que iam, me davam cupons de desconto. E pensar que quem entrou pela primeira vez no motel foi uma menina inocente, cheia de sonhos, achando que era amada e que não fazia mal “brincar” só um pouquinho, que eu sabia o limite.
Quando a gente não é tudo ou nada nessa área, a noção de limite se perde. Hoje eu daria tudo para voltar a ser quem eu era. Eu tinha identidade: adorava piano, gostava de dançar, tinha muitos assuntos para compartilhar, sonhava em ser veterinária, adorava sorvete. Mas hoje, meus namoros se reduziram a sexo, agarra-agarra em pleno shopping, carícias indecentes na frente dos outros. Não curtíamos nem compartilhávamos momentos em comum porque a idéia fixa era ir para outro lugar.
Quantos dias dos namorados deixei de aproveitar, enfurnada num motel barato, assistindo filmes pornôs ou comprada como uma prostituta com presentes para que fosse mais liberal. Nem sei se peguei alguma DST. Já fiz aborto, confesso. Engravidei duas vezes e não podia estragar a minha vida. Tomei remédio e tirei as crianças. Sempre achei que o corpo era meu, além disso, os pais não iam assumir nunca. Hoje eu penso no que eu fiz. Penso nessas crianças que poderiam estar aí hoje. Eu só pensei em mim, naquele momento, no meu desespero, nem considerei o tamanho do crime que estava cometendo.
Prejudiquei a outras pessoas, me afastei dos meus melhores amigos, ignorei os bons conselhos, matei essas crianças inocentes, feri a Deus mas machuquei mais a mim mesma. Sou um caco de pessoa hoje. Sei de todas as técnicas sexuais possíveis e era muito boa em todas elas mas trocaria tudo isso por um amor de verdade. A experiência que tive não me acrescentou nada com pessoa. Só serviu para me mostrar que sexo não prende ninguém. Ao contrário, só escraviza, só destrói se você não souber como usar. E a modo de usar está na lei de Deus. Nem mais nem menos.
Sexo pode ser um brinquedo muito perigoso. Brincar de sentir prazer ou achar que carícias são coisas insignificantes foi a maior burrice que eu pude cometer. Subestimei o efeito do sexo sofre o corpo, a avalanche de emoções que ele provoca. Brinquei com um estímulo poderoso e fui me enfiando nesse mundo. Achei que estava sendo popular, que finalmente era reconhecida como boa em alguma coisa. Fui tão boa que acabei sendo péssima pra mim mesma. Meu sonho era ser essas mulheres da capa da Playboy, me imaginava uma diva posando para um ensaio sensual, sendo o desejo de milhares de homens, super sexy. Mas o que me daria isso? Esse corpo um dia acaba. Esses homens me veriam como um objeto, alguém pra usar e descartar quando aparecer alguma outra novidade. Assim eu fiz com vários homens: usei seus corpos para sentir prazer. Descartei, nunca os conheci como seres humanos, nunca tive uma troca de verdade.
Apesar de ter tido intimidade sexual com muita gente, nunca fui íntima de verdade de ninguém, nunca compartilhei as minhas coisas, nunca contei meus medos mais secretos. Fui e ainda sou uma pessoa profundamente superficial.
Minha esperança é uma só. Estou com uma psicóloga e um psiquiatra. Lá, eu falo de mim ou do que ainda sobrou de mim. Estou em abstinência por orientação médica e está sendo muito difícil. Tenho descrito meus pesadelos, pensado no que deixei de viver e em como gostaria que a minha vida estivesse. Falo novamente dos meus sonhos, dos meus projetos e de como fazer para mudar a minha imagem para o mundo, em como me descolar do sexo e me vestir de forma mais moderada. Tenho me apegado muito a Deus também porque só ele para me dar forças nesse momento para que eu possa crescer, renascer, viver outra vida.

Essa história é fictícia mas bem que poderia ser uma história real. Não existem poucos viciados sexuais no mundo mas esse pecado é secreto. Podemos conviver com eles todos os dias mas não sabemos que por trás daquela aparência angelical está alguém capaz das piores barbaridades. Alguém contaminado pelo submundo e preso com grossas correntes.
O viciado sexual começa normalmente com uma baixa auto-estima e pequenas brincadeiras sexuais que ele crê não levar a nada. A curiosidade leva a novas experiências que sempre se esgotam e ele busca incessantemente a novidade e a excitação. São necessários novos hábitos cada vez maiores e mais ousados para satisfazer a vontade. Assim, o homem que se masturba olhando mulheres na rua, passa a querer se expor nu atrás de uma árvore. A mulher que olhava pornografia passa a querer fazer novas formas de sexo. O casal que já tentou as novas formas de sexo, passa a querer fazer troca de casais. A ordem é experimentar novas coisas que causem mais excitação que as antigas. Além da baixa auto-estima, a pessoa vulnerável normalmente sente uma falta que pode ser chamada de solidão, angústia, perda ou outros nomes. Uma falta de consolo, de saciedade no campo emocional, que tenta preencher no campo sexual, já que o sexo dá uma sensação de união com outra pessoa. A excitação sexual funciona como remédio para os males da alma e o comportamento só piora. Quando esgotou suas possibilidades, o compulsivo, já com a vida social e muitas vezes, profissional, bastante deteriorada, passa a ter sentimentos de morte e impulsos suicidas no auge do desespero. Nada mais preenche a falta e a única arma que ele tinha mostrou-se falha. A sensação é de estar num beco sem saída.
Quando a alma está “morta” dentro de nós como um jardim pisoteado, só sobra um recurso: nascer de novo. E Jesus nos diz que devemos nascer da água e do Espírito. Quem não tem um novo nascimento não pode se curar do vício sexual.
A compulsão é uma espiral de decadência onde a pessoa se enfia cada vez mais na lama do pecado e assim, o pecado tem mais e mais força sobre ela pois ela se dá, se rende a ele. A luta para sair envolve várias técnicas já mencionadas num texto anterior (Cura das memórias traumáticas).

Algumas conseqüências da compulsão sexual:

  • Falta de ânimo pela vida
  • Sensação de vazio
  • Crises de ansiedade e irritabilidade na ausência de sexo
  • Falta de interesse em outras coisas que não sexo
  • Baixa auto-estima
  • Vergonha, culpa e sentimento de fracasso (não consigo controlar isso)
  • Sensação de estar sem saída/pensamentos de morte
  • Depressão clínica
  • Pesadelos freqüentes incluindo cenas pornográficas
  • Destruição da vida social
  • Destruição da vida profissional
  • Dificuldade de manter um relacionamento afetivo (freqüentes traições)
  • Perda da identidade (aceita tudo para agradar)
  • Insegurança, medo e angústia
  • Sentimento de desvalia
  • Obsessão pela aparência física/culto ao corpo
  • Inveja de pessoas que parecem ser mais bonitas
  • Perda dos valores morais pela diluição dos limites
  • Doenças sexualmente transmissíveis
  • Gravidez indesejada
  • Destruição da vida financeira
  • Isolamento social e/ou familiar
  • Promiscuidade
  • Mentira compulsiva (para ocultar as escapadas)
  • Manifestação de problemas psiquiátricos latentes
  • Manifestação de tendências homo/bissexuais antes ausentes
  • Instabilidade de humor
  • Baixa tolerância à frustração
  • Paranóia, mania de perseguição, medo de ser descoberto
  • Tentativas de suicídio
  • Raiva de si mesmo, comportamentos autodestrutivos
  • Agressividade
  • Uso de drogas (para aumentar o prazer ou auto-medicar a ansiedade)
  • Surgimento de novas compulsões (comida, compras, álcool e cigarro, jogo)
  • Alteração significativa na personalidade

Um comentário:

  1. As pessoas hoje, confundem liberdade com libertinagem. Swing, Suruba, Ménage à Trois, GangBang e etc, nunca prestaram. Mais cedo ou mais tarde vai causar consequências terríveis, já vir e continuo vendo vários e vários casos de que essas libertinagens só terminam mal.

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