domingo, 7 de outubro de 2012



A dor que mais dói: não poder sofrer pelo outro


A dor que mais dói no coração de quem ama alguém é não poder carregar nem um pouquinho do sofrimento dessa pessoa consigo. Algumas coisas podemos compartilhar como: conversar, sorrisos, brincadeiras e até comemorações de vitória. Mas o sofrimento que é inerente ao se recuperar de uma compulsão é impossível de ser partilhado. A minha vontade louca de sair comprando tudo o que eu vejo, não pode ser dividida com ninguém. Que bom se ela pudesse ser partilhada, dada um pouquinho a uma pessoa benevolente. Mas não, essa batalha é minha para o resto da vida e só minha. Assim é quando somos nós aqueles que assistimos ao sofrimento de um ente querido. Ver as lutas, as batalhas travadas, às vezes ganhas, às vezes perdidas, as confissões da realidade nua e crua, o gosto pelo pecado e pelo erro. Nem sempre é fácil. Quantas vezes choramos junto ou nos desesperamos ao ver que aquela pessoa não consegue se livrar do pecado e se debate incessantemente com o mesmo vício, que parece controlá-la. Algumas pessoas têm clara a necessidade de mudança, se arrependem, choram pensando no que perderam com a compulsão mas ainda assim, é como uma força que as domina, que parecem não poder controlar. Podemos orar por nossos amigos, pais, irmãos, namorados, podemos rogar a Deus por suas lutas mas nem sempre o resultado é imediato e às vezes nos cansamos, desanimamos, achando que Deus não está tendo misericórdia daqueles que mais amamos. Uma mulher, esposa de um viciado em sexo e pornografia desabafa:

“É muito difícil ouvir meu marido dizer que gosta do tipo de sexo mais baixo que existe. Me dói mais ainda saber que tem dias que ele não resiste e vê filmes pornôs na internet. Dói saber o quanto ele gosta de toda essa sujeira e tenho medo que um dia eu não seja mais suficiente para ele. Sei que ele me ama, já demonstrou várias vezes o desejo de se libertar de tudo isso mas diz que sua vontade é fraca e que gosta mesmo do pecado.”

Precisamos crer que Deus é misericordioso e que assiste a todos os nossos sofrimentos, provendo os meios necessários para sairmos deles. Como diz a palavra:

“Contaste os meus passos quando sofri perseguições; recolheste as minhas lágrimas no teu odre: não estão elas inscritas no teu livro?” (Sl 56,8)

Porém, precisamos reconhecer que todo pecado têm suas conseqüências e que estes sofrimentos não são questão de Deus permitir ou não, mas são os frutos colhidos por nossos caminhos mal escolhidos. Deus nunca nos abandona, está sempre segurando as nossas mãos, mas quando pecamos, escolhemos nos afastar dele pois ele não toma parte no pecado. Diz o CIC (1264):
No batizado, porém, certas conseqüências temporais do pecado permanecem, tais como os sofrimentos, a doença, a morte ou as fragilidades inerentes à vida, como as fraquezas de caráter etc., assim como a propensão ao pecado, que a Tradição chama de concupiscência ou, metaforicamente, o "incentivo do pecado" (fomes peccati"): "Deixada para os nossos combates, a concupiscência não é capaz de prejudicar aqueles que, não consentindo nela, resistem com coragem pela graça de Cristo. Mais ainda: 'um atleta não recebe a coroa se não lutou segundo as regras' (2Tm 2,5).

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