domingo, 7 de outubro de 2012



A falta de fé como mantenedora das dependências


Você já deve ter ouvido uma pessoa compulsiva falando “Ah, eu não tenho mais jeito”; “Já tentei de tudo mas eu só presto pra isso mesmo” ou “ É impossível, já passei de um ponto muito extremo para ser curado”. Isso são exemplos de falta de fé. Muitas vezes professamos a fé num Deus que nem sabemos bem que é. Ouvimos falar que Deus tudo pode mas isso se traduz apenas uma realidade intelectual que não nos toca profundamente a nível emocional. Dessa forma, sabemos intelectualmente dessa verdade mas é como se ela fosse um mero boato e não uma verdade. Agimos como se Deus fosse semelhante a nós, fraco e limitado. O que vemos como impossível para nós, vemos como impossível para ele também. Achamos que as leis da lógica se aplicam a ele mas Deus é totalmente desconcertante e pode subverter tudo o que pensamos. Algumas áreas da nossa vida são vistas como fora do alcance de Deus, enquanto outras mais plausíveis, conseguimos entregar. O cleptomaníaco que já roubou inúmeras vezes diz: “Isso Deus não cura mais, já virou vício e está arraigado”, o compulsivo sexual diz: “Agora é daqui pra pior, o jeito é morrer.” Nos vemos desesperados, lutando contra as nossas próprias forças sozinhos ou desistindo porque rotulamos alguma coisa de impossível. Dou um exemplo simples: quando eu estagiava num CTI, os médicos havia desenganado um homem, que apesar de todas as tentativas de ser acordado do coma, não conseguia. Estava há mais de três semanas sem sedação mas vivia como um vegetal, sem reagir, apenas dormindo, acordando e sentindo dores. A médica responsável disse que isso era fruto de uma lesão cerebral e deu alta ao doente, para ser cuidado na enfermaria e depois em casa. Essa foi uma situação que a família poderia ter rotulado como impossível, fora do alcance de Deus pois todos os especialistas havia desenganado o homem, usando os recursos da mais moderna medicina. Humanamente a resposta era ‘não’, mas Deus iria subverter toda essa lógica. Tempos depois reencontrei a filha do paciente nos corredores e fiquei surpresa ao descobrir que o paciente tinha se recuperado plenamente sem seqüelas. Mais tarde, a médica me explicou que ele usava um remédio para convulsões que estava mantendo o estado de semi-coma e que o remédio tinha demorado anormalmente para sair do organismo do paciente.
Um exemplo pessoal meu: eu fazia um curso de especialização e por problemas de um trabalho de grupo, fui injustamente expulsa do curso pela professora junto com mais duas colegas. A professora disse que era inútil eu tentar dizer alguma coisa, que eu tiraria zero no trabalho e não precisaria me dar ao trabalho de retornar à sala de aula, apesar das minhas outras notas excelentes. Pedi a Deus misericórdia e tive a certeza que algo de inusitado aconteceria. A professora por fim, aceitou um segundo trabalho mas disse que daria no máximo cinco. Ao final, não só fui aprovada no curso como passei com nota oito no trabalho. Seria também para muitas pessoas, impossível a recuperação de traficantes de drogas pois se ganha muito dinheiro e status mas o grupo Afro Reggae foi montado por ex-traficantes de drogas. Quantos depoimentos vemos de ex-drogados, ex-prostitutas, ex-ladrões, pessoas que desceram até o fundo do poço como Steve Gallagher, hoje pastor evangélico mas que foi um grande viciado em sexo e pornografia ou Eliana Ribeiro, que dá seu testemunho de ex-alcóolatra e usuária de drogas. Quantas pessoas compulsivas são utilizadas por Deus em grandes ministérios depois de se libertarem de grandes escravidões? Não torne Deus do seu tamanho. Fazendo isso, você limita seu poder e sua ação porque não crê que o impossível possa acontecer. Deus tem poder mas a fé é a brecha que Deus necessita no seu coração, é a sua participação de Deus exige para fazer milagres. Não limite Deus ao dizer que ele não pode curar o seu problema. Não carimbe na sua ficha “culpado”, ou “marginal” ou qualquer rótulo que te faça esquecer que você é um ser em transformação, aberto à graça de Deus. Teve alguém muito especial na Bíblia que também separava algumas áreas para Deus e outras que eram inalcançáveis a ele, uma pessoa de fé mas com uma fé menor do que o tamanho de Deus. Mas ela foi desafiada por ele a crer no impossível. Jesus começa questionando: “Quem pensas que eu sou?” e ela, como mulher de fé, diz: “Eu creio que tu és aquele que havia de vir ao mundo...”. Estou falando de Marta, irmã de Maria e Lázaro. Seu irmão havia morrido e ela só diz: “Se você estivesse aqui ele não teria morrido”, como se estivesse dizendo a Jesus: “Olha, antes dava para fazer alguma coisa mas agora é tarde demais, resta esperar a ressurreição”. Mas Jesus desafia sua fé: “Se creres, verás a glória de Deus”. Jesus sempre conta com a nossa colaboração, ele não vai sozinho retirar a pedra, pede que retirem, num ato de fé dos presentes. Mas Marta ainda continua se lamentando: “Senhor, já cheira mal, está aí há 4 dias”, resposta parecida com a de muitos de nós: “Mas, Senhor, isso daí é um processo acabado”. Isso mesmo, você deu um ponto final, fechou por si mesmo a situação sem saber se essa era a vontade de Deus. Você limitou o poder de Deus ao sepultar certas esperanças. Mas Jesus insiste e manda o morto sair com autoridade. Mesmo aquele morto bem enfaixado, bem enterrado, pode sair e voltar à vida se este for o desejo de Deus.
Sua sexualidade, seus impulsos, sua mente, suas lembranças, seu corpo, sua afetividade... Tudo isso pode estar morto, sepultado mas Jesus pode restaurar, dar a você uma visão nova, fazer esses ossos secos se transformarem em homens novamente (Ez 37, 1-14). “Eu sou a ressurreição e a vida”, diz Jesus. Só ele é Senhor da vida e da morte, ninguém pode ressuscitar se não for por meio dele, nem ser enterrado para sempre sem a sua autorização. Abra o seu coração para Jesus, tenha fé e ore para que ele ressuscite seus mortos.
Reflita com o texto integral:

        Mal soube Marta da vinda de Jesus, saiu-lhe ao encontro. Maria, porém, estava sentada em casa. Marta disse a Jesus: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido! Mas sei também, agora, que tudo o que pedires a Deus, Deus to concederá. Disse-lhe Jesus: Teu irmão ressurgirá.Respondeu-lhe Marta: Sei que há de ressurgir na ressurreição no último dia.Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá. Crês nisto? Respondeu ela: Sim, Senhor. Eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que devia vir ao mundo. Quando, porém, Maria chegou onde Jesus estava e o viu, lançou-se aos seus pés e disse-lhe: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido! Tomado, novamente, de profunda emoção, Jesus foi ao sepulcro. Era uma gruta, coberta por uma pedra. Jesus ordenou: Tirai a pedra. Disse-lhe Marta, irmã do morto: Senhor, já cheira mal, pois há quatro dias que ele está aí...Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu: Se creres, verás a glória de Deus? Tiraram, pois, a pedra. Levantando Jesus os olhos ao alto, disse: Pai, rendo-te graças, porque me ouviste. Eu bem sei que sempre me ouves, mas falo assim por causa do povo que está em roda, para que creiam que tu me enviaste. Depois destas palavras, exclamou em alta voz: Lázaro, vem para fora! E o morto saiu, tendo os pés e as mãos ligados com faixas, e o rosto coberto por um sudário. Ordenou então Jesus: Desligai-o e deixai-o ir. (João 11, 20-44)  

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