A falta de fé como mantenedora das dependências
Você já deve ter ouvido uma pessoa compulsiva falando “Ah,
eu não tenho mais jeito”; “Já tentei de tudo mas eu só presto pra isso mesmo”
ou “ É impossível, já passei de um ponto muito extremo para ser curado”. Isso
são exemplos de falta de fé. Muitas vezes professamos a fé num Deus que nem
sabemos bem que é. Ouvimos falar que Deus tudo pode mas isso se traduz apenas
uma realidade intelectual que não nos toca profundamente a nível emocional.
Dessa forma, sabemos intelectualmente dessa verdade mas é como se ela fosse um
mero boato e não uma verdade. Agimos como se Deus fosse semelhante a nós, fraco
e limitado. O que vemos como impossível para nós, vemos como impossível para
ele também. Achamos que as leis da lógica se aplicam a ele mas Deus é
totalmente desconcertante e pode subverter tudo o que pensamos. Algumas áreas
da nossa vida são vistas como fora do alcance de Deus, enquanto outras mais
plausíveis, conseguimos entregar. O cleptomaníaco que já roubou inúmeras vezes
diz: “Isso Deus não cura mais, já virou vício e está arraigado”, o compulsivo
sexual diz: “Agora é daqui pra pior, o jeito é morrer.” Nos vemos desesperados,
lutando contra as nossas próprias forças sozinhos ou desistindo porque
rotulamos alguma coisa de impossível. Dou um exemplo simples: quando eu
estagiava num CTI, os médicos havia desenganado um homem, que apesar de todas
as tentativas de ser acordado do coma, não conseguia. Estava há mais de três
semanas sem sedação mas vivia como um vegetal, sem reagir, apenas dormindo,
acordando e sentindo dores. A médica responsável disse que isso era fruto de
uma lesão cerebral e deu alta ao doente, para ser cuidado na enfermaria e
depois em casa. Essa foi uma situação que a família poderia ter rotulado como
impossível, fora do alcance de Deus pois todos os especialistas havia
desenganado o homem, usando os recursos da mais moderna medicina. Humanamente a
resposta era ‘não’, mas Deus iria subverter toda essa lógica. Tempos depois
reencontrei a filha do paciente nos corredores e fiquei surpresa ao descobrir
que o paciente tinha se recuperado plenamente sem seqüelas. Mais tarde, a
médica me explicou que ele usava um remédio para convulsões que estava mantendo
o estado de semi-coma e que o remédio tinha demorado anormalmente para sair do
organismo do paciente.
Um exemplo pessoal meu: eu fazia
um curso de especialização e por problemas de um trabalho de grupo, fui
injustamente expulsa do curso pela professora junto com mais duas colegas. A
professora disse que era inútil eu tentar dizer alguma coisa, que eu tiraria
zero no trabalho e não precisaria me dar ao trabalho de retornar à sala de
aula, apesar das minhas outras notas excelentes. Pedi a Deus misericórdia e
tive a certeza que algo de inusitado aconteceria. A professora por fim, aceitou
um segundo trabalho mas disse que daria no máximo cinco. Ao final, não só fui
aprovada no curso como passei com nota oito no trabalho. Seria também para
muitas pessoas, impossível a recuperação de traficantes de drogas pois se ganha
muito dinheiro e status mas o grupo Afro Reggae foi montado por ex-traficantes
de drogas. Quantos depoimentos vemos de ex-drogados, ex-prostitutas,
ex-ladrões, pessoas que desceram até o fundo do poço como Steve Gallagher, hoje
pastor evangélico mas que foi um grande viciado em sexo e pornografia ou Eliana
Ribeiro, que dá seu testemunho de ex-alcóolatra e usuária de drogas. Quantas
pessoas compulsivas são utilizadas por Deus em grandes ministérios depois de se
libertarem de grandes escravidões? Não torne Deus do seu tamanho. Fazendo isso,
você limita seu poder e sua ação porque não crê que o impossível possa
acontecer. Deus tem poder mas a fé é a brecha que Deus necessita no seu
coração, é a sua participação de Deus exige para fazer milagres. Não limite
Deus ao dizer que ele não pode curar o seu problema. Não carimbe na sua ficha
“culpado”, ou “marginal” ou qualquer rótulo que te faça esquecer que você é um
ser em transformação, aberto à graça de Deus. Teve alguém muito especial na
Bíblia que também separava algumas áreas para Deus e outras que eram
inalcançáveis a ele, uma pessoa de fé mas com uma fé menor do que o tamanho de
Deus. Mas ela foi desafiada por ele a crer no impossível. Jesus começa
questionando: “Quem pensas que eu sou?” e ela, como mulher de fé, diz: “Eu
creio que tu és aquele que havia de vir ao mundo...”. Estou falando de Marta,
irmã de Maria e Lázaro. Seu irmão havia morrido e ela só diz: “Se você
estivesse aqui ele não teria morrido”, como se estivesse dizendo a Jesus:
“Olha, antes dava para fazer alguma coisa mas agora é tarde demais, resta
esperar a ressurreição”. Mas Jesus desafia sua fé: “Se creres, verás a glória
de Deus”. Jesus sempre conta com a nossa colaboração, ele não vai sozinho
retirar a pedra, pede que retirem, num ato de fé dos presentes. Mas Marta ainda
continua se lamentando: “Senhor, já cheira mal, está aí há 4 dias”, resposta
parecida com a de muitos de nós: “Mas, Senhor, isso daí é um processo acabado”.
Isso mesmo, você deu um ponto final, fechou por si mesmo a situação sem saber
se essa era a vontade de Deus. Você limitou o poder de Deus ao sepultar certas
esperanças. Mas Jesus insiste e manda o morto sair com autoridade. Mesmo aquele
morto bem enfaixado, bem enterrado, pode sair e voltar à vida se este for o
desejo de Deus.
Sua sexualidade, seus impulsos,
sua mente, suas lembranças, seu corpo, sua afetividade... Tudo isso pode estar
morto, sepultado mas Jesus pode restaurar, dar a você uma visão nova, fazer
esses ossos secos se transformarem em homens novamente (Ez 37, 1-14). “Eu sou a
ressurreição e a vida”, diz Jesus. Só ele é Senhor da vida e da morte, ninguém
pode ressuscitar se não for por meio dele, nem ser enterrado para sempre sem a
sua autorização. Abra o seu coração para Jesus, tenha fé e ore para que ele ressuscite
seus mortos.
Reflita com o texto integral:
Mal soube Marta da vinda de Jesus, saiu-lhe ao encontro. Maria, porém,
estava sentada em casa. Marta disse a Jesus: Senhor, se tivesses estado aqui,
meu irmão não teria morrido! Mas sei também, agora, que tudo o que pedires a
Deus, Deus to concederá. Disse-lhe Jesus: Teu irmão ressurgirá.Respondeu-lhe
Marta: Sei que há de ressurgir na ressurreição no último dia.Disse-lhe Jesus:
Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.
E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá. Crês nisto? Respondeu ela:
Sim, Senhor. Eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que devia vir
ao mundo. Quando, porém, Maria chegou onde Jesus estava e o viu, lançou-se aos
seus pés e disse-lhe: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria
morrido! Tomado, novamente, de profunda emoção, Jesus foi ao sepulcro. Era uma
gruta, coberta por uma pedra. Jesus ordenou: Tirai a pedra. Disse-lhe Marta,
irmã do morto: Senhor, já cheira mal, pois há quatro dias que ele está
aí...Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu: Se creres, verás a glória de Deus?
Tiraram, pois, a pedra. Levantando Jesus os olhos ao alto, disse: Pai, rendo-te
graças, porque me ouviste. Eu bem sei que sempre me ouves, mas falo assim por
causa do povo que está em roda, para que creiam que tu me enviaste. Depois
destas palavras, exclamou em alta voz: Lázaro, vem para fora! E o morto saiu,
tendo os pés e as mãos ligados com faixas, e o rosto coberto por um sudário.
Ordenou então Jesus: Desligai-o e deixai-o ir. (João 11, 20-44)


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